A
independência da América espanhola.
Durante quase três séculos, a Espanha
dominou muitas regiões da América. Até o inicio do século XIX, os domínios
espanhóis estavam assim organizados: 4 vice-reinados: Nova Espanha, criado em
1535; Peru, em 1542; Nova Granada, em 1718; e Rio da Prata, em 1776; também
como as 4 capitanias gerais: Cuba, Guatemala, Venezuela e chile.
Neste longo período, as sociedades
coloniais espanholas foram marcadas por grandes diferenças. Entre os vários
grupos sociais que se formaram é possível distinguir: os Chapetones: eram
colonos nascidos na Espanha na qual detinham os principais cargos políticos da
administração da colônia; os Crioulos: eram os colonos descendentes dos
espanhóis, mas já nascidos na América, onde que, geralmente ocupavam cargos de
menor importância na administração; e as camadas populares: eram os
colonizados, grupo formado, em sua maioria, por indígenas, africanos, mestiços
e brancos pobres, na qual, os mesmos lutavam pela igualdade de direitos e o fim
da escravidão.
O grande império espanhol na América
deixou de existir entre 1810 e 1828, quando a maioria das colônias já havia
conquistado a independência. Não foi um único movimento que levaram a decadência
do império espanhol, mais sim, resultados de varias lutas sucessivas com
características próprias em cada região.
Um dos motivos que levaram as lutas pela
independência foi à invasão da Espanha por tropas francesas em 1807. O trono
espanhol foi ocupado por José Bonaparte, irmão de Napoleão, e os colonos,
aproveitaram desse fato ocorrido, onde que formaram juntas governativas na
América. O objetivo dos governantes locais era lutar pela liberdade de comércio
e pela independência politica da região.
Nas mãos do rei Fernando VII a Espanha
retoma o poder ao trono e expulsa os franceses de seu território. Depois desse
fato, o rei, apoiado pela santa aliança, envia soldados a América para tentar
conter as lutas pela independência. Porém, as lutas prosseguiam com muitas
vitórias das forças latino-americanas.
A luta contra o poder espanhol começou
no México com rebeliões de grupos indígenas e de mestiços pobres liderados
pelos padres Hidalgo e Morelos, em 1808. Esse movimento da inicio a
independência mexicana, onde que, mais tarde em 1821 é conquistada com a
liderança do general Agostinho de Itúrbide.
Do México, as lutas em prol a
independência espalharam-se pela América Central. Em 1823 formaram-se as
Províncias Unidas Centro-Americana, na antiga Guatemala. Em 1838 essas
províncias fragmentaram-se em cinco países: Guatemala, Honduras, Costa Rica, El
Salvador e Nicarágua.
Na América do sul, quem tomou a
iniciativa das lutas pela independência foram principalmente os crioulos.
Dentre eles, pode-se destacar lideres como José San Martin, que lutou no
exercito espanhol, mas, depois abraçou a causa da independência das colônias,
renunciando a carreira militar; também como Simón Bolíviar que desde seus 22
anos de idade, dedicou-se pela causa da independência, se destacando assim como
um grande líder militar e politico nas lutas que ocorreram na América do sul.
Os últimos territórios do sul da América
a se libertarem do domínio espanhol foram Peru e Bolívia, onde que esta ultima,
até a sua conquista politica-administrativa era chamada de Alto Peru. Em 1825,
passou-se a se chamar de Bolívia recebendo o nome em homenagem a Simón
Bolíviar.
Em 1822, Martín e Bolíviar organizaram um
encontro de lideres Sul-americano, para discutir o futuro do continente após as
lutas pela independência. O projeto tinha como por objetivo formar um grande
país na América do sul. Porém esse plano não obteve sucesso por várias
divergências entre as elites locais, que pretendiam manter seus poderes
econômicos nas regiões onde atuavam.
As independências dos países
latino-americanos provocaram grandes transformações na região. Entre elas houve
a aprovação de medidas para a abolição da escravatura e a implantação da
liberdade de comercio, que, em principio, favoreceu muito a Inglaterra.
Contudo, não se pode dizer que as independências politicas resultaram em
profundas mudanças sociais, pois, a maior parte das riquezas permaneceu nas
mãos das antigas elites proprietárias de terras, ou seja, a maioria da população
continuava a enfrentar péssimas condições de trabalho, educação, saúde, entre
outros problemas do cotidiano.
Depois da independência, houve um grande
período que ficou marcado pelo autoritarismo. Esse período ficou conhecido
pelos historiadores como o Caudilhismo, onde que, os caudilhos eram chefes
políticos e militares, que assumiam o poder do estado de forma autoritária.
A luta pela independência
latino-americana contou, também, com a participação das mulheres,
principalmente da população mais pobre. Elas acompanhavam seus maridos-soldados;
além disso, como não havia abastecimento regular das tropas, elas trabalhavam
cozinhando, lavando, costurando, cuidando de feridos e doentes – em troca de
algum dinheiro. E assim se prosseguiu, expostas a dureza das campanhas e aos
perigos das batalhas enfrentaram corajosamente os rumores da guerra.
Referencias:
ALMEIDA,
Gustavo Balbueno de. História da América II. Dourados: UNIGRAN, 2018/ Pg. 5 a
16.
COTRIM,
Gilberto, Historiar: 8/ Gilberto Cotrim, Jaime Rodrigues. – 2. Ed.- São Paulo:
Saraiva, 2015/pg. 94 a 105.