sábado, 1 de dezembro de 2018

BIBLIOGRAFIA DO LIVRO ''QUE É HISTÓRIA'' de EDWARD HALLET CARR.


UM CONCEITO SOBRE HISTÓRIA

   INTRODUÇÃO

A palavra história em si tem vário significados. Ela pode ser a história de um povo, de um lugar, de um objeto, entre outros. Em suma, história é uma palavra com origem no antigo termo grego "historie", que significa "conhecimento através da investigação". A História é uma ciência que investiga o passado da humanidade e o seu processo de evolução, tendo como referência um lugar, uma época, um povo ou um indivíduo específico.
Através do estudo histórico, obtém-se um conjunto de informações sobre processos e fatos ocorridos no passado que contribuem para a compreensão do presente. A história pode relatar a evolução não só de uma comunidade, mas também de eventos ou organizações de diversos tipos. A história do futebol, por exemplo, conta os acontecimentos mais importantes desse esporte, desde a sua criação até os dias de hoje.
Contudo, não falando especificamente do significado e sim do surgimento da história e do papel do profissional que faz a história, os resultados são um tanto quanto tão obscuro. Para compreender e sancionar estes paradigmas é tarefa que se encarrega o presente artigo.

 INTRODUCTION

The word history itself has various meanings. It can be a story of a people, a place, an object, among others. In short, it is a word originating in the ancient Greek term "historie", which means "knowledge through of investigation". History is a science that investigates the past of humanity and its process of evolution, having as reference a specific place, time, people or individual.

Through the historical questionnaire, we obtain a set of information about the processes and facts that occurred in the past that contribute to the understanding of the present. History can report the class, but also the events and the organization of types. The history of football, for example, tells the most important events of the sport, from its creation to the present day.

However, things are not important and rather make history and the role of the professional who makes history, are a little more obscure than the so obscure. To understand and sanction these paradigms is the task that aims at this article.

1.0  AFINAL, O QUE É HISTÓRIA?

Ao falar do nascimento da história, existem grandes nomes e grandes obras que se destacam nesse meio. É o caso de Edward Hallet Carr em sua obra “O que é história?”.
O autor começa o texto afirmando que enquanto houver a contradição haverá espaço para investigação e tal fato é um reflexo de nossa mudança de pensamento durante os anos.  Em seguida o autor diferencia os fatos básicos da pesquisa histórica real e argumenta que a exatidão dos fatos “Trata-se de uma condição necessária do seu trabalho, mas não sua função essencial” (CARR, 1962, p.37) Carr também afirma que para tratar dessa exatidão o historiador pode se utilizar do que o autor chama de “ciências auxiliares da história” (CARR, 1962, p.37). O autor ainda argumenta que cabe ao historiador analisar quais fatos tem alguma relevância histórica ou nas palavras dele “[...] é ele quem decide quais os fatos que vêm á cena e em que ordem ou contexto” (CARR, 1962, p.38).
Carr ainda defende que os fatos históricos nunca são puros e segundo suas palavras “[...] eles são sempre refratados através da mente do registrador [...]” (CARR, 1962, p.48). E por conta disso o historiador precisa se preocupar com o autor daquela fonte “[...] quando pegamos um trabalho de história nossa primeira preocupação não deveria ser com os fatos que ele contém, mas com o historiador que o escreveu” (CARR, 1962, p.48).
De acordo com o autor a única forma de atingirmos uma compreensão do passado é pela visão que temos no presente, nas suas palavras “[...] nós podemos visualizar o passado e atingir nossa compreensão do passado somente através dos olhos do presente” (CARR, 1962, p.51).
Nesse sentido, segundo Carr, quando perguntamos “o que é história?”, nossa resposta estará sempre condicionada a nossa temporalidade. Segundo o autor “[...] ela se constitui de um processo continuo de interpretação entre o historiador e seus fatos, um dialogo interminável entre o presente e o passado” (CARR, 1962, p.56).
No segundo capítulo de sua obra, Carr inicia comparando a relação entre sociedade e individuo com a relação entre a galinha e o ovo argumentando que essa relação é mútua e que um defende o outro. “A sociedade e o individuo são inseparáveis; eles são necessários e complementares um ao outro e não opostos” (CARR, 1962, p.58).
Carr então continua o argumento com a ideia de que “O desenvolvimento da sociedade e o desenvolvimento do individuo caminham de mãos dadas e condicionam-se um ao outro” (CARR, 1962, p.59). O autor argumenta que o historiador não está fora dos contextos de sua sociedade e de seu momento histórico, e que novas visões históricas sempre aparecerão a medida que a sociedade muda e os indivíduos mudam com ela. “Novas perspectivas, novos ângulos de visão constantemente aparecem à medida que a procissão – e o historiador com ela – se desloca. O historiador é parte da história” (CARR, 1962, p.62).
Carr também argumenta sobre o fato histórico dizendo, de forma simplificada, que:
Os fatos da história são, aliás, fatos sobre indivíduos, mas não sobre ações de indivíduos desempenhadas em separado e não sobre os motivos, reais ou imaginário, segundo os quais os próprios indivíduos supõem ter agido. São fatos sobre as relações de indivíduos entre si em sociedade e sobre as forças sociais que, a partir das ações individuais, produzem resultados que nem sempre concordam e, às vezes se opõem aos resultados que pretendiam (CARR, 1962, p.76/77).

Carr reforça a ideia de que “O passado é inteligível para nós somente a luz do presente; só podemos compreender completamente o presente à luz do passado” (CARR, 1962, p.80). O autor trás aquilo que o mesmo chama de “[...] dupla função histórica” (CARR, 1962, p.80). Que para ele é “capacitar o homem a entender a sociedade do passado e aumentar o seu domínio sobre a sociedade do presente [...]” (CARR, 1962, p.80).
O autor trás em sua obra um breve histórico da história na Europa durante o período do final do século XVIII que, de acordo com ele, é “[...] quando a ciência tinha contribuído com tanto sucesso não só para o conhecimento do mundo pelo homem como para o conhecimento pelo homem de seus próprios atributos físicos” (CARR, 1962, p.82). E de acordo com o autor nesse momento começa-se a se questionar se o ser humano poderia se aprofunda no conhecimento da sociedade, e assim desenvolveram-se as ciências sociais, entre elas a história.
O autor argumenta que “As ciências sociais como um todo, desde que elas envolvem o homem, tanto como investigador quanto como coisa investigada, são incompatíveis com qualquer teoria do conhecimento que acentue um divórcio rígido entre sujeito e objeto” (CARR, 1962, p.98).
Carr também aborda a religião dizendo que o historiador não deve se utilizar da ideia de intervenção divina para exemplificar qualquer fato ou acontecimento histórico “Para os objetivos destas conferências, digamos que o historiador deve solucionar seus problemas sem recorrer a qualquer Deus [...]” (CARR, O que é história, p.99). O autor ainda na questão religiosa dá sua opinião sobre a relação entre história e Deus.
Pessoalmente acho difícil conciliar a integridade da história com a crença em alguma força supra-histórica da qual dependem seus significados e seu sentido – seja essa força o deus de um povo escolhido, um deus cristão a mão oculta deísta, ou seja, o espirito do mundo de Hegel (CARR, 1962, p.99).

No quarto capitulo de sua obra, Carr argumentando que a história é um estudo de causas e não apenas um estudo sobre os acontecimentos do passado. O autor explica que o termo “causa” na história saiu de moda, devido segundo ele “[..] em parte [...] a certas ambiguidades filosóficas de que não tratarei aqui, e em parte, devido a sua suposta associação com o determinismo [...]” (CARR, 1962, p.113).
Em seguida, Carr argumenta que à medida que o historiador tenta determinar as causas para os acontecimentos, aumentam as especializações e consequentemente as respostas para as causas:
O historiador, ao expandir e aprofundar a sua pesquisa acumula um numero cada vez maior de respostas á pergunta por quê? A proliferação, nos últimos anos de história econômica, social, cultural e jurídica – para não mencionar os novos métodos de penetrar nas complexidades da história e as novas técnicas da psicologia e da estatística – aumentaram enormemente o número e a gama de nossas respostas (CARR, 1962, p.115).

O autor afirma que por mais que o objeto de estudo do historiador seja o passado, o qual ele analisa no seu contexto presente, o historiador nunca deixa de analisar o que será do futuro. “Julgo que os bons historiadores, quer pensem sobre isto quer não, têm o futuro em seu sangue. Além da pergunta porque? O historiador também faz a pergunta pra onde?” (CARR, 1962, p.131).
Já no capítulo cinco de sua obra, Carr fala de duas das visões mais populares da história, que são o misticismo e o cinismo. Para o autor, misticismo é “[...] a visão de que o significado da história fica em algum lugar fora da história, nos domínios da teologia ou escatologia” (CARR, 1962, p.134). Já o cinismo “[...] representa a visão de que a história não tem sentido, ou tem inúmeros sentidos igualmente válidos ou não válidos, ou o sentido que arbitrariamente resolvemos dar-lhe” (CARR, 1962, p.134).
O autor defende a teoria de que o progresso histórico, não é uma linha reta interminável e que esse progresso para, retrocede e não acontece no mesmo lugar ao mesmo tempo:
[...] Ninguém de sã consciência jamais acreditou num tipo de progresso que avançasse numa linha reta contínua sem reveses, nem desvios ou quebra de continuidade, de maneira que mesmo o revés mais agudo não é necessariamente fatal à crença. Há, nitidamente, períodos de regressão e períodos de progresso (CARR, 1962, p.139).

O autor defende a ideia de que o progresso na história tem um objetivo finito e claramente definido, para ele “A crença no progresso não significa uma crença no progresso automático ou inevitável, mas no desenvolvimento gradativo das potencialidades humanas” (CARR, 1962, p.142). Carr também afirma que a historiografia se transforma a medida que a sociedade e as ferramentas de análise também se modificam. Ele define a historiografia como “[...] Uma ciência que avança sempre no sentido que ela procura aprofundar e expandir a compreensão do curso dos acontecimentos que também se transforma” (CARR, 1962, p.147).
Edward H. Carr se embasa na ideia de que a história é uma relação entre passado, presente e futuro e que a história é diferente da teologia, pois não depende de algum “poder extra histórico” (CARR, 1962, p.154) e difere-se da literatura pois não é,  “Uma coletânea sem significado e sem sentido de fatos históricos e lendas sobre o passado” (CARR, 1962, p.154).
No ultimo capítulo de sua obra, Carr afirma que a história está em constante progresso. O autor explica que a partir do momento em que o ser humano começa a analisar a passagem do tempo fora dos processos naturais, mas através de processos os homens estão completamente envolvidos é que se tem o inicio da história:
A história tem inicio quando os homens começam a pensar na passagem do tempo, não em termos de processos naturais – o ciclo das estações do ano, a duração da vida humana – mas de uma série de acontecimentos específicos em que os homens estão conscientemente envolvidos e que podem ser conscientemente influenciados pelos homens (CARR, 1962, p.157).

Mais ao fim do livro Carr discute a revolução geográfica do século XX argumentando que o “Centro de gravidade mundial deixou de ser a Europa Ocidental e passou a ser os países de língua inglesa” (CARR, 1962, p.169).  O autor afirma, também, que a expansão da razão tem grandes consequências para o historiador uma vez que “[...] a expansão da razão significa, em essência, o emergir na história de grupos e classes, de povos e continentes, que até então haviam permanecido de fora” (CARR, 1962, p.171).
Ao fim da obra o autor critica a maneira como os países de língua inglesa tratam o estudo histórico de outras regiões do planeta e afirma:
Mais uma vez, tempestades estão bramindo no mundo além; enquanto nós, nos países de língua inglesa, nos reunimos e contamos uns aos outros, em inglês cotidiano típico, que os outros países e outros continentes estão isolados por seu comportamento extraordinário em relação às dádivas e bênçãos de nossa civilização (CARR, 1962, p.174).

Compartilhando de uma linha ideológica, Marc Bloch diz que a história está viva e é parte da vida do historiador, e não apenas seu oficio. Marc Bloch trava uma batalha para a inclusão do sujeito na história, pela inclusão de um paradigma que não se restringisse apenas a fatos, datas e heróis, por um estudo da sociedade dentro da história. Do indivíduo dentro dessa sociedade. E sustenta a ideia de que a história é a ciência dos homens no tempo:

Outros cientistas, ao contrário, acham com razão o presente humano perfeitamente suscetível de conhecimento cientifico. Mas é para reservar seu estudo a disciplinas bem distintas daquelas que tem o passado como objeto. Eles analisam: por exemplo, pretendem compreender a economia contemporânea com a ajuda de observações limitadas, no tempo, a algumas décadas. Em suma, consideram a época em que vivem separada das que a precederam por contrastes vivos demais para trazer em si mesma sua própria explicação. Esta é também a atitude instintiva de muitos curiosos simplistas. A história dos períodos um pouco distantes só os seduz como um inofensivo luxo de espirito. De um lado, um punhado de antiquários, ocupados por macabra dileção, em desenfaixar os deuses mortos; do outro, sociólogos, economistas, publicitas os únicos exploradores do vivo (BLOCH, 1949, p. 56).

Jacques Le Goff se embasa na ideia de que, o tempo e a ação do homem ao longo do tempo são o objeto de estudo da história, redimensiona uma série de outras ideias que essa nova história vai trazendo a superfície à medida que se aprofunda no estudo da história. Para Jacques Le Goff a matéria fundamental da história é o tempo. Para ele “não é de hoje que a cronologia desempenha um papel essencial como fio condutor e ciência auxiliar da história” (LE GOFF, 1990, p. 08). Le Goff também retrata que “a história é a ciência do tempo. Está estreitamente ligada as diferentes concepções de tempo que existem numa sociedade e são um elemento essencial da aparelhagem mental dos historiadores”(LE GOFF, 1990, p. 42).

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

De acordo com a bibliografia apresentada, podemos perceber que a busca pelo conhecimento é essencial para que possamos ser historiadores qualificados futuramente, buscar provas para a ciência, onde a religião se faz presente desacreditando nesta possibilidade, mas percebemos que o respeito pelas outras ciências é essencial, é preciso que haja um entendimento entre o passado, presente e futuro, fazendo uma relação entre os fatos históricos, os documentos, as crenças, a cultura de um povo, os relatos históricos, etc.
Também pode-se perceber que a sociedade também faz parte da história desde o inicio, meio e fim. Não podemos descartá-la em hipótese alguma, a partir do momento que o homem deixa vestígios, ele esta produzindo história.
Vimos que a história não pode ser avaliada apenas por um fato isolado e sim por vários fatores pelo qual o historiador aborda sua pesquisa, onde que, nos leva a compreender que a história é um vasto campo de conhecimento e que dentro desse conhecimento a história terá varias ferramentas, essas ferramentas será outros tipos de conhecimentos sejam nas áreas da ciência (sociais e naturais), da religiosidade ou da moralidade. Assim a história é um processo em movimento constante, dentro do qual o historiador se move. É a cisão da natureza causada pelo despertar da consciência.

 BIBLIOGRAFIA:

¹ CARR, Edward Hallet. Que é História? São Paulo: Editora Paz e Terra, 1962.

            ² BLOCH, Marc. Apologia da História ou o Oficio do Historiador. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1949.
           
³ LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

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