segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pós independência americana: A busca pela cidadania.


O final do século XVIII e o inicio do século XIX, foi marcado por grandes transformações politicas, tanto na América quanto na Europa. Do lado americano pode-se destacar a independência politica de vários países latino-americanos, pelos espanhóis. Também como os norte-americanos na conquista da independência das treze colônias, pelos ingleses, e a formação de um regime – Republicano presidencialista, destacando também, uma enorme expansão territorial.
O processo de emancipação politica das colônias espanholas marcou, essencialmente, uma ruptura com a metrópole. Porém, nos primeiros anos de independência, não se notou mudanças drásticas, no agora estado independente. Na verdade, este período ficou conhecido como uma espécie de uma herança colonial, ou seja, havia a permanência de situações tipicamente coloniais em quase todos os estados em que se dividiu o império espanhol.
Simón Bolíviar, crioulo, nascido na atual Venezuela, destacou-se como um líder militar e politico nas lutas pela emancipação, que ocorreram ao norte da América do sul. Em 1822, Bolíviar, juntamente com San Martín, outro crioulo de grande destaque, organizaram um encontro de líderes sul-americanos para discutir o futuro do continente. O projeto com a qual Bolíviar apresentou, nessa conferencia, tinha como por objetivo formar um grande país na América do sul, ou seja, unir politicamente as antigas colônias da América espanhola. Entretanto, o plano de unificação fracassou, pois, houve grandes divergências entre as elites locais, que pretendiam manter seus poderes econômicos nas regiões onde atuavam, dando origem assim, a um período conhecido como o caudilhismo (Cotrim, 2015, pg. 105).
Os movimentos de independência da América espanhola mobilizaram os mais diversos setores da sociedade – crioulos, camponeses, militares, índios e mestiços. Porém, os benefícios da emancipação não foram distribuídos de forma igualitária para todos. Os grandes privilegiados foram os caudilhos, que eram lideres políticos e chefes militares, geralmente de origem espanhola, que se tornaram os senhores de exércitos particulares e, ao assumirem o governo de sua nação, exerciam o poder de forma personalista e autoritária, em benefício próprio.
Com a saída da Espanha, a economia do continente passou a ser controlada pelos ingleses, pois eles conquistaram mercados livres, sem a interferência da metrópole. Em outras palavras, as antigas colônias da era mercantilista, agora emancipadas, continuavam “colônia”, dentro de uma nova ordem capitalista comandado pelos ingleses. Ao longo de quase um século, não houve modificações estruturais nesta parte do mundo, pode-se afirmar, ainda, que a história da América latina continuava a ser comandada de fora, de uma forma indireta (Faria, 2010, pg. 413).
As mudanças politicas, inauguradas em longo prazo, com a revolução de independência na América hispânica foi a experiência republicana. A adoção da república em várias nações do continente americano representa uma ruptura completa com os estereótipos coloniais. A cidadania foi uma das definições para a instalação do republicanismo, pois o povo queriam  direitos e entre eles de eleger os seus  próprios representantes.
Os Estados Unidos é hoje a nação mais rica e poderosa do planeta. Ocupam uma área de mais de 9,6 milhões de km² na América do norte, são responsáveis por 23,2% da produção econômica mundial e controlam o maior arsenal militar do mundo. Porém, os EUA nem sempre fora uma grande potencia. Sua história revela uma origem parecida com a de outros países da América, pois no passado também foram colônia.
 A partir do século XVII os ingleses começaram a se instalarem na América do norte, as margens do oceano atlântico, fundando nessa região as treze colônias e dando origem a colonização.
O processo de independência norte-americana se da somente no final do século XVIII, durante o desenvolver da guerra dos sete anos.  Em 2 de julho de 1776, o segundo congresso da Filadélfia se decidiu pela independência. Em 4 de julho do mesmo ano, publicaram a declaração de independência das treze colônias, redigida por Thomas Jefferson, Samuel Adams e Benjamin Franklin, onde que a mesma foi aceita pelos representantes das treze colônias.
Após a conquista da independência, os americanos elaboram a primeira constituição da história, em 1787, colocando em pratica um ar de democracia. Aprovada a constituição, George Washington foi eleito para a presidência. Estava assim, constituído o primeiro estado nacional fora da Europa.  
Os governantes dos Estados unidos, desde o inicio do século XIX deixavam claros seus interesses de exercer influencia politica e econômica sobre o continente americano.
Anos mais tarde, em 1823 o presidente James Monroe anuncia que as forças estadunenses seriam contra qualquer governo europeu que quisesse restabelecer colônias na América. Ele enviou uma mensagem ao congresso que se resumia em: “A América para os americanos”. O presidente Monroe proclamava que, como os EUA não se intrometiam  em assuntos europeus, não cabia a Europa o direito de intervir na vida das nações americanas. Todo esse contexto deu origem ao que foi chamado de Doutrina de Monroe.
 No final do século XIX , o pan-americanismo surgiu como uma continuação da doutrina de Monroe, na qual consistia no predomínio dos Estados Unidos sobre os demais Estados americanos e negava aos Estados europeus o direito de intervenção no continente americano.
As reações do resto do continente ao Pan-americanismo norte-americano não tardou a aparecer. Os restantes dos países viam com receio os planos norte-americanos. A resposta foi o aparecimento do termo “latino-americano”, com objetivos de “desenvolverem em uma concepção continentalista, traduzida em projetos, movimentos de união, confederação, textos diplomáticos e jurídicos” (Ré, 2010, pg. 44). O latino-americanismo é uma inspiração nas ideologias de Bolíviar, que pretendia unificar os países da América do sul, unindo-os politicamente.

Referencias:

ALMEIDA, Gustavo Balbueno de. História da América II. Dourados: UNIGRAN, 2018/ Pg. 5 a 35.

COTRIM, Gilberto, Historiar: 8/ Gilberto Cotrim, Jaime Rodrigues. – 2. Ed.- São Paulo: Saraiva, 2015/pg. 103 a 105.

SERIACOPI, Gislaine Campos Azevedo, História: volume único/ Gislaine Campos/ Azevedo Seriacopi/ Reinaldo Seriacopi. – 1. Ed. – São Paulo: Ática, 2005/ pg. 234 a 246.

FARIA, Ricardo de Moura, Estudos de história: ensino médio, volume único/ Ricardo de Moura Faria, Monica Liz Miranda, Helena Guimarães Campos. – 1. Ed – São Paulo: FTD, 2010/ pg. 299 a 306 / pg. 427 a 438.

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