O final do século XVIII e o inicio do
século XIX, foi marcado por grandes transformações politicas, tanto na América
quanto na Europa. Do lado americano pode-se destacar a independência politica
de vários países latino-americanos, pelos espanhóis. Também como os
norte-americanos na conquista da independência das treze colônias, pelos
ingleses, e a formação de um regime – Republicano presidencialista, destacando
também, uma enorme expansão territorial.
O processo de emancipação politica das
colônias espanholas marcou, essencialmente, uma ruptura com a metrópole. Porém,
nos primeiros anos de independência, não se notou mudanças drásticas, no agora
estado independente. Na verdade, este período ficou conhecido como uma espécie
de uma herança colonial, ou seja, havia a permanência de situações tipicamente coloniais
em quase todos os estados em que se dividiu o império espanhol.
Simón Bolíviar, crioulo, nascido na
atual Venezuela, destacou-se como um líder militar e politico nas lutas pela
emancipação, que ocorreram ao norte da América do sul. Em 1822, Bolíviar,
juntamente com San Martín, outro crioulo de grande destaque, organizaram um
encontro de líderes sul-americanos para discutir o futuro do continente. O
projeto com a qual Bolíviar apresentou, nessa conferencia, tinha como por objetivo
formar um grande país na América do sul, ou seja, unir politicamente as antigas
colônias da América espanhola. Entretanto, o plano de unificação fracassou,
pois, houve grandes divergências entre as elites locais, que pretendiam manter
seus poderes econômicos nas regiões onde atuavam, dando origem assim, a um
período conhecido como o caudilhismo (Cotrim, 2015, pg. 105).
Os movimentos de independência da
América espanhola mobilizaram os mais diversos setores da sociedade – crioulos,
camponeses, militares, índios e mestiços. Porém, os benefícios da emancipação
não foram distribuídos de forma igualitária para todos. Os grandes
privilegiados foram os caudilhos, que eram lideres políticos e chefes
militares, geralmente de origem espanhola, que se tornaram os senhores de
exércitos particulares e, ao assumirem o governo de sua nação, exerciam o poder
de forma personalista e autoritária, em benefício próprio.
Com a saída da Espanha, a economia do
continente passou a ser controlada pelos ingleses, pois eles conquistaram
mercados livres, sem a interferência da metrópole. Em outras palavras, as
antigas colônias da era mercantilista, agora emancipadas, continuavam
“colônia”, dentro de uma nova ordem capitalista comandado pelos ingleses. Ao
longo de quase um século, não houve modificações estruturais nesta parte do
mundo, pode-se afirmar, ainda, que a história da América latina continuava a
ser comandada de fora, de uma forma indireta (Faria, 2010, pg. 413).
As mudanças politicas, inauguradas em
longo prazo, com a revolução de independência na América hispânica foi a
experiência republicana. A adoção da república em várias nações do continente americano
representa uma ruptura completa com os estereótipos coloniais. A cidadania foi
uma das definições para a instalação do republicanismo, pois o povo queriam direitos e entre eles de eleger os seus próprios representantes.
Os Estados Unidos é hoje a nação mais
rica e poderosa do planeta. Ocupam uma área de mais de 9,6 milhões de km² na América
do norte, são responsáveis por 23,2% da produção econômica mundial e controlam
o maior arsenal militar do mundo. Porém, os EUA nem sempre fora uma grande
potencia. Sua história revela uma origem parecida com a de outros países da
América, pois no passado também foram colônia.
A
partir do século XVII os ingleses começaram a se instalarem na América do
norte, as margens do oceano atlântico, fundando nessa região as treze colônias
e dando origem a colonização.
O processo de independência
norte-americana se da somente no final do século XVIII, durante o desenvolver
da guerra dos sete anos. Em 2 de julho
de 1776, o segundo congresso da Filadélfia se decidiu pela independência. Em 4
de julho do mesmo ano, publicaram a declaração de independência das treze
colônias, redigida por Thomas Jefferson, Samuel Adams e Benjamin Franklin, onde
que a mesma foi aceita pelos representantes das treze colônias.
Após a conquista da independência, os
americanos elaboram a primeira constituição da história, em 1787, colocando em
pratica um ar de democracia. Aprovada a constituição, George Washington foi
eleito para a presidência. Estava assim, constituído o primeiro estado nacional
fora da Europa.
Os governantes dos Estados unidos, desde
o inicio do século XIX deixavam claros seus interesses de exercer influencia
politica e econômica sobre o continente americano.
Anos mais tarde, em 1823 o presidente James
Monroe anuncia que as forças estadunenses seriam contra qualquer governo
europeu que quisesse restabelecer colônias na América. Ele enviou uma mensagem ao
congresso que se resumia em: “A América para os americanos”. O presidente
Monroe proclamava que, como os EUA não se intrometiam em assuntos europeus, não cabia a Europa o
direito de intervir na vida das nações americanas. Todo esse contexto deu
origem ao que foi chamado de Doutrina de Monroe.
No
final do século XIX , o pan-americanismo surgiu como uma continuação da
doutrina de Monroe, na qual consistia no predomínio dos Estados Unidos sobre os
demais Estados americanos e negava aos Estados europeus o direito de
intervenção no continente americano.
As reações do resto do continente ao
Pan-americanismo norte-americano não tardou a aparecer. Os restantes dos países
viam com receio os planos norte-americanos. A resposta foi o aparecimento do
termo “latino-americano”, com objetivos de “desenvolverem em uma concepção
continentalista, traduzida em projetos, movimentos de união, confederação,
textos diplomáticos e jurídicos” (Ré, 2010, pg. 44). O latino-americanismo é
uma inspiração nas ideologias de Bolíviar, que pretendia unificar os países da
América do sul, unindo-os politicamente.
Referencias:
ALMEIDA, Gustavo Balbueno de. História
da América II. Dourados: UNIGRAN, 2018/ Pg. 5 a 35.
COTRIM, Gilberto, Historiar: 8/ Gilberto
Cotrim, Jaime Rodrigues. – 2. Ed.- São Paulo: Saraiva, 2015/pg. 103 a 105.
SERIACOPI, Gislaine Campos Azevedo,
História: volume único/ Gislaine Campos/ Azevedo Seriacopi/ Reinaldo Seriacopi.
– 1. Ed. – São Paulo: Ática, 2005/ pg. 234 a 246.
FARIA, Ricardo de Moura, Estudos de
história: ensino médio, volume único/ Ricardo de Moura Faria, Monica Liz
Miranda, Helena Guimarães Campos. – 1. Ed – São Paulo: FTD, 2010/ pg. 299 a 306
/ pg. 427 a 438.