A
ocupação e dominação espanhola na América
A conquista da América e a sua
colonização, foi um processo extremamente gigantesco que mudou os rumos das
civilizações ocidentais. Este fato, na qual as principais marcas estão
diretamente relacionadas com a expansão marítima e comercial, levada pelos
países ibéricos, ou seja, Portugal e Espanha, no final do século XV,
realizaram-se com a perda de milhares de vidas e o extermínio completo de
muitas civilizações indígenas. As chamadas civilizações pré-colombianas
contavam com sociedades complexas integradas por milhares de habitantes. Com
isso, surge uma questão a ser respondida: Como foi possível os espanhóis
conquistarem todas essas populações ali presentes?
A expansão marítima do comércio europeu,
a partir do século XV, lançou com força várias nações europeias a iniciarem
políticas que visassem ampliar o movimento comercial como forma de fortalecer o
estado econômico das nascentes monarquias nacionais. Nesse contexto, a Espanha
alcança um estrondoso passo ao anunciar a existência de um novo continente à
Oeste.
A colonização espanhola teve início com
a chegada de Cristóvão Colombo ás Antilhas em 1492, ele procurava um novo
caminho as Índias. Ao chegarem por essas terras, os espanhóis se depararam com
a existência de grandes civilizações, capazes de elaborar complexas
instituições políticas e sociais. Muitos dos centros urbanos criados pelos
chamados povos pré-colombianos superavam as cidades da Europa. Nesse momento, o
Novo Mundo desperta a curiosidade e a ambição que concretizaria a colonização
dessas novas terras.
Os primeiros contatos entre indígenas e
europeus foi de grande estranhamento e um enfatizado choque cultural, pois, os
colonizadores achavam peculiar a maneira que eles viviam, andavam seminus, eram
nômades e não buscavam adquirir bem materiais, mas, apesar de tanta
adversidade, os nativos receberam com cordialidade os europeus. A cobiça dos
Europeus por riquezas mudou essa relação amistosa, se transformando em um
violento, sangrento etnocídio, onde, muitas tribos indígenas foram dizimadas e
na qual foram assassinados milhões de nativos.
Aqueles que não foram mortos, foram escravizados, eram obrigados a
trabalhar por várias horas em trabalho exaustivos e perigosos, nas minas de
ouro, nas fazendas e nos engenhos, tiveram que abandonar seu modo de vida, onde,
viviam em harmonia com a natureza e seguir os costumes dos colonizadores que se
consideravam uma raça superior.
Um dos mais debatidos processos de
dominação da população nativa, aconteceu quando o conquistador Hernán Cortéz
liderou as ações militares que subjugaram o Império Asteca. Os astecas
acreditavam que os espanhóis eram deuses e acreditavam na realização de uma
profecia, no que a mesma dizia que o deus Quetzalcoatl estaria retornando a
terra, por isso quando chegaram a Tenochtitlán, em novembro de 1519, os
espanhóis foram recebidos com boas vindas. Sabendo dessa informação o
conquistador, Cortéz, tirou proveito da situação e logo começaram a tomar todos
os objetos de ouro e outros metais preciosos, dando início ao fim do império
asteca.
Os espanhóis permaneceram durante muitos
meses em Tenochtitlán. Por um período Cortéz, passou o comando da cidade a seu
substituto, Pedro de Alvarado e foi nesse momento que o comandante ordenou o massacre
de milhares de astecas que estavam reunidos em um templo comemorando uma festa
tradicional deles, na qual marcou o início da guerra entre espanhóis e astecas.
Retornando de viagem, Cortéz não conseguiu controlar a situação e teve que
fugir com seus aliados. Conseguiram se instalar em Tlaxcala, cidade considerada
uma das maiores inimigas do povo asteca. Nesse tempo que permaneceram fora da
capital, Cortéz buscou reforços na Espanha e também entre povos inimigos,
conseguiu formar um exército composto por uma média de 900 soldados espanhóis e
milhares de indígenas, acompanhado desse exército, munido de armamentos pesados
o Comandante cercou a capital. Após 75 dias de combate intenso os astecas se
renderam aos espanhóis, consolidando assim o fim do império asteca.
O império maia já estava em declínio
antes mesmo da chegada dos espanhóis e não formavam um império com poder
centralizado. Houve fatores que só pioraram a situação da população, além das
guerras, pestes, terremotos e a falta de terras para o cultivo, desse modo à
dominação espanhola foi facilitada pela decadência de algumas cidades maias. Os
maias representaram uma resistência considerável em cada uma de suas cidades
autônomas. Na conquista, os espanhóis consolidaram alianças com diversos povos indígenas
e no final do século XVI, as colônias espanholas já implantavam um conjunto de
instituições e práticas que asseguravam sua ação nos territórios coloniais.
As colônias espanholas estavam afastadas do
mundo exterior e as ruinas das cidades antigas eram pouco conhecidas, depois
que os conquistadores espanhóis acabaram com as resistências. Quase no final do
século XVII, a população maia sumiu, até que em meados do século XIX os
arqueólogos a redescobriram.
Deve-se compreender a dominação
espanhola como um processo gradual, aonde diversas táticas vieram a ser
empregadas para que o projeto de colonização e exploração dos espanhóis fosse
colocado em ação. De acordo com o poeta Pablo Neruda, três elementos foram
responsáveis pela dominação espanhola: a cruz, a espada e a fome.
Quando Neruda fala da espada, ele referência
à superioridade bélica que favoreceu os espanhóis durante as lutas contra os
povos pré-colombianos. Contando com armas de fogo, canhões e cavalos os espanhóis
conseguiram se sobressair mediante a simplicidade das armas dos índios
americanos. No mesmo contexto quando ele cita a cruz, ele refere-se à catequese
promovida pelos padres jesuítas, onde que foi uma prática que ao mesmo tempo em
que se realizava a conversão religiosa das populações locais, também introduzia
os valores favoráveis à aceitação da presença espanhola na região.
Paralelamente, quando se refere à fome, Neruda cita que a fome e as doenças
também influenciaram na diminuição das populações indígenas. A pesada rotina de
trabalho e as penas aplicadas dentro do regime de semiescravidão imposto aos
indígenas faziam com que muitos deles perdessem suas vidas. Por outro lado, as
doenças trazidas pelo colonizador europeu deflagraram verdadeiras epidemias que
dizimaram populações inteiras em um curto espaço de tempo.
Podemos concluir que, quando os
espanhóis conquistaram a América, no século XVI, tinham a vantagem de estar mais bem equipados
que os nativos. Os cavalos, canhões e armas de fogo impactaram psicologicamente
as populações que aqui moravam. Esse encontro entre espanhóis e ameríndios foi
acompanhado pela cobiça, ira, ganância, ódio, inveja e a morte generalizada
violentamente e pelas doenças. Os espanhóis queriam riquezas e a expansão da
catequese cristã. A cultura de povos
como a dos Incas, Maias e Astecas, povos com alto grau de cultura, foi
totalmente desrespeitada. A conquista e a colonização do território americano
contaram com duas instâncias de poder: Da Igreja e da Coroa espanhola. Religião
e Estado juntos para consolidar seus interesses por aqui. A cruz e espada
delinearam a conquista e a colonização junto com a aculturação dos nativos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário